Eu não sabia explicar nós dois
Ela mais eu
Porque eu e ela
Não conhecia poemas
Nem muitas palavras belas
Mas ela foi me levando pela mão
Íamos todos os dois
Assim ao léo
Ríamos, choravamos sem razão
Hoje lembrando-me dela
Me vendo nos olhos dela
Sei que o que tinha de ser se deu
Porque era ela
Porque era eu
Chico Buarque
sábado, 5 de setembro de 2009
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Dióptico Plano
Não me envolvo mais. Não me envolvo e quase todos os meus relacionamentos são superficiais. Os profundos que tenho são os de longa data... Por que de uns tempos pra cá desaprendi a sentir. Minhas vontades ficam divididas entre a saudade das emoções e o medo das decepções. Entre o medo de se entregar e a monotonia de uma rotina de solidão. Já ando desgastada, os pés descalços cansados, de tanto andar por esse labirinto que nunca me leva ao caminho certo. Dentre as voltas incertas, eu vejo a luz. Vejo-a, mas não posso tocá-la! Não tenho mais forças para esticar meus braços, nem fôlego para tentar novamente. Tanta superficialidade deixou-me tão fria,que não posso mais sentir o calor da luz. Por mais que eu a veja, e por vezes tente tocá-la, sou sempre envolvida pela entorpecente escuridão, na qual as dúvidas alimentam-se de meu juízo e crescem descompassadamente. Em minha face o disfarce dos gritos mudos que rasgam meu peito à procura de quem os ouça. Calo com um sorriso os possíveis questionamentos vindos de fora, já bastam-me os que tenho! Não vai adiantar querer arrancar de mim a verdade, com palavras cruas impetuosamente atiradas a mim. A minha verdade se esconde embaixo de tantos véus, que chego a perder as contas. A minha verdade não se entrega assim tão fácil, mesmo quando eu quero arrancá-la e mostrá-la para quem quiser ver. Diz a física que num dióptico plano você sempre vai ver distorcidas as dimensões perpendiculares à superfície de separação dos meios, ainda que sejam ambos transparentes. Você sempre vai enxergar a piscina mais rasa do que ela é. E por enquanto vai continuar vendo calmaria onde há tempestade, mansidão onde há fúria e sabedoria onde há insegurança. Se quiser saber quão profunda é a piscina, vai ter que se jogar. Por que a minha verdade, ela não se mostra tão fácil assim.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
terça-feira, 7 de julho de 2009
M says:
"SUA VAMPIROOOOOOOOOOOOOOOONAAAAAAAA!
você é uma vulture meeu:x
como que alguém reconhece uma pessoa pelo cheiro após 100 anos sem falar com ela?
acho que tu não ME reconhece pelo cheiro
eu juuuuro a você que dei uma gaitada aqui que mainha veio pra saber o que era
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
que meeeeedo, abre o olho sami O.o"
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
você é uma vulture meeu:x
como que alguém reconhece uma pessoa pelo cheiro após 100 anos sem falar com ela?
acho que tu não ME reconhece pelo cheiro
eu juuuuro a você que dei uma gaitada aqui que mainha veio pra saber o que era
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
que meeeeedo, abre o olho sami O.o"
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
sábado, 6 de junho de 2009
Eu sabia que alguma coisa havia mudado, desde a primeira vez que eu o vi. O meu coração não parecia mais que ia saltar pela boca quando ele olhava para mim, assim como acontecia antes. O ar tinha um tom mais neutro, mais maduro, e principalmente mais frio do que antes. Ele não me olhava mais com os olhos de dúvida e surpresa que tinha antes, tão indecifráveis para mim! Seus olhos agora me seguiam como quem se desculpa, cheios de receio. Era como se nunca tivesse existido. A angústia que eu agora sentia ao vê-lo era diferente. Não mais a sensação de insegurança, de coração palpitando ou das palavras fugindo a mente. Era agora uma angústia de como quem grita mas não é ouvido, corre mas nunca alcança, ou tateia no escuro por que de repente perdeu a visão. E essa, a angústia da certeza, é bem pior do que a primeira. Era como se eu lutasse por uma causa perdida. Como é que eu podia me lembrar de tantas coisas que aconteceram, e ele não? Como ele pode esquecer a promessa que fez de me levar embora, de estar sempre comigo, de ser sempre o meu melhor amigo? Eu não me importaria tanto que ele não se lembrasse, se eu também já tivesse esquecido. Mas como era possível que ele tivesse simplesmente apagado tudo o que houvera e recomeçado, enquanto eu ainda permitia que ele fizesse parte do meu presente?! Afogado no mais fundo poço, era onde deveria estar. Mas incrustou-se em minha pele de tal forma que continuará sempre comigo. Sempre. Eu sabia que, por mais que o tempo passasse, as sensações seriam as mesmas. Ora mais amenas, ora mais intensas, mas seriam sempre as mesmas. Eu vou reconhecer o cheiro antes de virar-me para trás, e vou saber que gosto antes de saber de onde vem. Ainda que os seus olhos sejam sempre de uma súplica seca e endurecida, os meus serão sempre de esperança. Os meus, serão sempre os seus olhos castanhos.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
De frente para o espelho eu posso ver claramente. Eu olho para o reflexo e lá está. Aquela cicatriz, as marcas do meu cansaço, um certo olhar moribundo. Isso você vê. Se continuo olhando, percebo retratos da minha indiferença, da minha ignorância. Vejo milhares de cenas perante mim, e vozes na minha cabeça me fazem lembrar que não passam de recordações, e isso você não vê. Ou talvez veja.
Não há mais diálogo, não há mais cor, agora restam apenas futlidades disfarçadas de motivos sinceros e maquiadas com desculpas esfarrapadas. O que antes era absurdo, hoje você diz que é normal; e o que antes você condenava, agora é a bandeira que você levanta. Não necessariamente algo bom. O mundo explode ao seu redor, mas você nem se importa. Você só quer fugir dos sorrisos falsos e "dessa eterna falta do que falar...". Você não consegue decidir de qual lado do muro vai querer se jogar, por isso continua caminhando em cima dele, lentamente põe um pé na frente do outro, nem tanto pelo medo de cair, mas por não ter escolhido de qual dos lados vai querer cair. Você sabe onde vai parar, você já conhece o final da história, mas mesmo assim insistem fingir que não se importa. Você não sabe se vale a pena. Na verdade você sabe que não.
O que fazer quando aquilo que te impediu de cair da montanha durante a escalada, como todos ao seu redor, agora é o mesmo motivo que te impede de chegar ao topo? Logo agora que você estava tão perto! Abandonar tudo e inverter o sentido da caminhada? Mas você já sabe que não vale a pena.
Não há mais diálogo, não há mais cor, agora restam apenas futlidades disfarçadas de motivos sinceros e maquiadas com desculpas esfarrapadas. O que antes era absurdo, hoje você diz que é normal; e o que antes você condenava, agora é a bandeira que você levanta. Não necessariamente algo bom. O mundo explode ao seu redor, mas você nem se importa. Você só quer fugir dos sorrisos falsos e "dessa eterna falta do que falar...". Você não consegue decidir de qual lado do muro vai querer se jogar, por isso continua caminhando em cima dele, lentamente põe um pé na frente do outro, nem tanto pelo medo de cair, mas por não ter escolhido de qual dos lados vai querer cair. Você sabe onde vai parar, você já conhece o final da história, mas mesmo assim insistem fingir que não se importa. Você não sabe se vale a pena. Na verdade você sabe que não.
O que fazer quando aquilo que te impediu de cair da montanha durante a escalada, como todos ao seu redor, agora é o mesmo motivo que te impede de chegar ao topo? Logo agora que você estava tão perto! Abandonar tudo e inverter o sentido da caminhada? Mas você já sabe que não vale a pena.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Eu simplesmente não aguentava mais ficar ali, e fui-me embora. Andei sem destino, vagando em meus pensamentos até chegar a uma praça. Lá sentei-me, e fiquei a observar a beleza das crianças que ali brincavam. Não havia maldade em seus sorrisos, eram inundados por uma alegria tão pura que eu cheguei a invejá-los. Em verdade, a minha vontade era de sentar-me junto a elas na areia e brincar imaginando estórias, criando meu próprio mundo e poder ter em meu rosto sorrisos tão sinceros quanto os seus... Mas não fiz. Não o fiz por que algo em minha cabeça gritava que eu não podia, já que eu não tinha mais a idade delas e... Eu não podia mais viver de brincar construindo castelos de areia, por que no mundo real os meus castelos estavam desmoronando. Não importava o quanto eu corresse, jamais fugiria da verdade, que ecova aos gritos em minha mente. Eu tinha de voltar lá e encarar de frente aquilo, que era a minha vida. Não importava quanto tempo eu passasse ali admirá-las, quando eu voltasse todos os problemas me acompanhariam. Eu tive vontade de gritar para elas: "Ei! Aproveitem enquanto podem!", mas também não cheguei a fazê-lo. Já estava anoitecendo, tive de me levantar e ir embora. Mas desta vez eu tinha um rumo certo a seguir.
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