quinta-feira, 16 de abril de 2009

Eu simplesmente não aguentava mais ficar ali, e fui-me embora. Andei sem destino, vagando em meus pensamentos até chegar a uma praça. Lá sentei-me, e fiquei a observar a beleza das crianças que ali brincavam. Não havia maldade em seus sorrisos, eram inundados por uma alegria tão pura que eu cheguei a invejá-los. Em verdade, a minha vontade era de sentar-me junto a elas na areia e brincar imaginando estórias, criando meu próprio mundo e poder ter em meu rosto sorrisos tão sinceros quanto os seus... Mas não fiz. Não o fiz por que algo em minha cabeça gritava que eu não podia, já que eu não tinha mais a idade delas e... Eu não podia mais viver de brincar construindo castelos de areia, por que no mundo real os meus castelos estavam desmoronando. Não importava o quanto eu corresse, jamais fugiria da verdade, que ecova aos gritos em minha mente. Eu tinha de voltar lá e encarar de frente aquilo, que era a minha vida. Não importava quanto tempo eu passasse ali admirá-las, quando eu voltasse todos os problemas me acompanhariam. Eu tive vontade de gritar para elas: "Ei! Aproveitem enquanto podem!", mas também não cheguei a fazê-lo. Já estava anoitecendo, tive de me levantar e ir embora. Mas desta vez eu tinha um rumo certo a seguir.

Carta a um amigo


Através da janela entreaberta, olhava eu para o nada. A imensidão do céu escuro fazia-me desligar ainda mais do que se passava ao meu redor. As luzes, os vizinhos, os carros na rua... nada daquilo importava-me mais. Enquanto as lágrimas sem motivo escorriam-me pelo rosto, afogava-me eu em um mar de lembranças, e você estava presente em quase todas elas, sendo o que me fazia naufragar, ao mesmo tempo que me puxava para a superfície. Ah, que eterno paradoxo é o amor! Passavam-me pela mente vários pensamentos aleatórios, e mais uma vez me peguei reescrevendo a nossa história. Fiquei a pensar em como os anos passaram, e apesar de termos crescido e mudado tanto, ainda somos os mesmos. Por que quando eu lembro do seu olhar é aquela mesma criança que eu vejo... a mesma de anos atrás.Ah, quão grande é a saudade que sinto de ti! Meu amigo, meu irmão, meu eterno companheiro! Pena que não se pode voltar no tempo e corrigir os erros, aprimorar os acertos ou simplesmente apagar algumas partes do passado. Imersa na escuridão dessa noite fria, vi-me perdida entre lembranças e sorrisos, na esperança de um dia poder corrigir meus erros tão banais. Continuarei aqui a esperar-te, vagando no balanço das ondas e agarrando-me ao teu bote, na esperança que eu um dia me salve do infinito da minha indecisão.