
Através da janela entreaberta, olhava eu para o nada. A imensidão do céu escuro fazia-me desligar ainda mais do que se passava ao meu redor. As luzes, os vizinhos, os carros na rua... nada daquilo importava-me mais. Enquanto as lágrimas sem motivo escorriam-me pelo rosto, afogava-me eu em um mar de lembranças, e você estava presente em quase todas elas, sendo o que me fazia naufragar, ao mesmo tempo que me puxava para a superfície. Ah, que eterno paradoxo é o amor! Passavam-me pela mente vários pensamentos aleatórios, e mais uma vez me peguei reescrevendo a nossa história. Fiquei a pensar em como os anos passaram, e apesar de termos crescido e mudado tanto, ainda somos os mesmos. Por que quando eu lembro do seu olhar é aquela mesma criança que eu vejo... a mesma de anos atrás.Ah, quão grande é a saudade que sinto de ti! Meu amigo, meu irmão, meu eterno companheiro! Pena que não se pode voltar no tempo e corrigir os erros, aprimorar os acertos ou simplesmente apagar algumas partes do passado. Imersa na escuridão dessa noite fria, vi-me perdida entre lembranças e sorrisos, na esperança de um dia poder corrigir meus erros tão banais. Continuarei aqui a esperar-te, vagando no balanço das ondas e agarrando-me ao teu bote, na esperança que eu um dia me salve do infinito da minha indecisão.
