sábado, 6 de junho de 2009

Eu sabia que alguma coisa havia mudado, desde a primeira vez que eu o vi. O meu coração não parecia mais que ia saltar pela boca quando ele olhava para mim, assim como acontecia antes. O ar tinha um tom mais neutro, mais maduro, e principalmente mais frio do que antes. Ele não me olhava mais com os olhos de dúvida e surpresa que tinha antes, tão indecifráveis para mim! Seus olhos agora me seguiam como quem se desculpa, cheios de receio. Era como se nunca tivesse existido. A angústia que eu agora sentia ao vê-lo era diferente. Não mais a sensação de insegurança, de coração palpitando ou das palavras fugindo a mente. Era agora uma angústia de como quem grita mas não é ouvido, corre mas nunca alcança, ou tateia no escuro por que de repente perdeu a visão. E essa, a angústia da certeza, é bem pior do que a primeira. Era como se eu lutasse por uma causa perdida. Como é que eu podia me lembrar de tantas coisas que aconteceram, e ele não? Como ele pode esquecer a promessa que fez de me levar embora, de estar sempre comigo, de ser sempre o meu melhor amigo? Eu não me importaria tanto que ele não se lembrasse, se eu também já tivesse esquecido. Mas como era possível que ele tivesse simplesmente apagado tudo o que houvera e recomeçado, enquanto eu ainda permitia que ele fizesse parte do meu presente?! Afogado no mais fundo poço, era onde deveria estar. Mas incrustou-se em minha pele de tal forma que continuará sempre comigo. Sempre. Eu sabia que, por mais que o tempo passasse, as sensações seriam as mesmas. Ora mais amenas, ora mais intensas, mas seriam sempre as mesmas. Eu vou reconhecer o cheiro antes de virar-me para trás, e vou saber que gosto antes de saber de onde vem. Ainda que os seus olhos sejam sempre de uma súplica seca e endurecida, os meus serão sempre de esperança. Os meus, serão sempre os seus olhos castanhos.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

De frente para o espelho eu posso ver claramente. Eu olho para o reflexo e lá está. Aquela cicatriz, as marcas do meu cansaço, um certo olhar moribundo. Isso você vê. Se continuo olhando, percebo retratos da minha indiferença, da minha ignorância. Vejo milhares de cenas perante mim, e vozes na minha cabeça me fazem lembrar que não passam de recordações, e isso você não vê. Ou talvez veja.

Não há mais diálogo, não há mais cor, agora restam apenas futlidades disfarçadas de motivos sinceros e maquiadas com desculpas esfarrapadas. O que antes era absurdo, hoje você diz que é normal; e o que antes você condenava, agora é a bandeira que você levanta. Não necessariamente algo bom. O mundo explode ao seu redor, mas você nem se importa. Você só quer fugir dos sorrisos falsos e "dessa eterna falta do que falar...". Você não consegue decidir de qual lado do muro vai querer se jogar, por isso continua caminhando em cima dele, lentamente põe um pé na frente do outro, nem tanto pelo medo de cair, mas por não ter escolhido de qual dos lados vai querer cair. Você sabe onde vai parar, você já conhece o final da história, mas mesmo assim insistem fingir que não se importa. Você não sabe se vale a pena. Na verdade você sabe que não.

O que fazer quando aquilo que te impediu de cair da montanha durante a escalada, como todos ao seu redor, agora é o mesmo motivo que te impede de chegar ao topo? Logo agora que você estava tão perto! Abandonar tudo e inverter o sentido da caminhada? Mas você já sabe que não vale a pena.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Eu simplesmente não aguentava mais ficar ali, e fui-me embora. Andei sem destino, vagando em meus pensamentos até chegar a uma praça. Lá sentei-me, e fiquei a observar a beleza das crianças que ali brincavam. Não havia maldade em seus sorrisos, eram inundados por uma alegria tão pura que eu cheguei a invejá-los. Em verdade, a minha vontade era de sentar-me junto a elas na areia e brincar imaginando estórias, criando meu próprio mundo e poder ter em meu rosto sorrisos tão sinceros quanto os seus... Mas não fiz. Não o fiz por que algo em minha cabeça gritava que eu não podia, já que eu não tinha mais a idade delas e... Eu não podia mais viver de brincar construindo castelos de areia, por que no mundo real os meus castelos estavam desmoronando. Não importava o quanto eu corresse, jamais fugiria da verdade, que ecova aos gritos em minha mente. Eu tinha de voltar lá e encarar de frente aquilo, que era a minha vida. Não importava quanto tempo eu passasse ali admirá-las, quando eu voltasse todos os problemas me acompanhariam. Eu tive vontade de gritar para elas: "Ei! Aproveitem enquanto podem!", mas também não cheguei a fazê-lo. Já estava anoitecendo, tive de me levantar e ir embora. Mas desta vez eu tinha um rumo certo a seguir.

Carta a um amigo


Através da janela entreaberta, olhava eu para o nada. A imensidão do céu escuro fazia-me desligar ainda mais do que se passava ao meu redor. As luzes, os vizinhos, os carros na rua... nada daquilo importava-me mais. Enquanto as lágrimas sem motivo escorriam-me pelo rosto, afogava-me eu em um mar de lembranças, e você estava presente em quase todas elas, sendo o que me fazia naufragar, ao mesmo tempo que me puxava para a superfície. Ah, que eterno paradoxo é o amor! Passavam-me pela mente vários pensamentos aleatórios, e mais uma vez me peguei reescrevendo a nossa história. Fiquei a pensar em como os anos passaram, e apesar de termos crescido e mudado tanto, ainda somos os mesmos. Por que quando eu lembro do seu olhar é aquela mesma criança que eu vejo... a mesma de anos atrás.Ah, quão grande é a saudade que sinto de ti! Meu amigo, meu irmão, meu eterno companheiro! Pena que não se pode voltar no tempo e corrigir os erros, aprimorar os acertos ou simplesmente apagar algumas partes do passado. Imersa na escuridão dessa noite fria, vi-me perdida entre lembranças e sorrisos, na esperança de um dia poder corrigir meus erros tão banais. Continuarei aqui a esperar-te, vagando no balanço das ondas e agarrando-me ao teu bote, na esperança que eu um dia me salve do infinito da minha indecisão.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Saudade


"Saudade é solidão acompanhada, é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já... Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que nos machuca, é não ver o futuro que nos convida... Saudade é sentir que existe o que não existe mais... Saudade é o inferno dos que perderam, é a dor dos que ficaram para trás, é o gosto de morte na boca dos que continuam... Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade, aquela que nunca amou. E esse é o maior dos sofrimentos: não ter por quem sentir saudades, passar pela vida e não viver. O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.”

(Pablo Neruda)



Ahhh.... Saudades!

sábado, 7 de fevereiro de 2009

domingo, 25 de janeiro de 2009

Um ano de sorrisos

Agora sim, sinto que o ano começa de verdade! Passada aquela euforia de promessas de fim de ano que muitas vezes são esquecidas ao longo deste, o ano começou. Mais do que nenhum outro eu sinto que 2009 vai ser um ano diferente, mas acima de tudo, inesquecível!
Parece até brincadeira, mas vejo Deus planejar uma reviravolta em minha vida nesse ano que se inicia! Como dizia o famigerado Bob Marley, "Quando você acha que sabe todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas!" Ou seria apenas Deus tentando nos mostrar que Ele é quem tem o controle sobre tudo?

E o meu ano novo já começou maravilhosamente bem! É certo que só tive um mês de férias, e que passei a metade delas longe de casa numa cidade sem praia, mas posso dizer de coração que valeu a pena. Pelo que eu pude ver de Deus agir, pelo modo como mais uma vez Ele me surpreendeu e pelas pessoas que Ele pôs no meu caminho. Por que eu bem sei que não haveria outro modo de nos encontrarmos se não fosse por propósito dEle :) É a minha família que aumenta, de repente, e todas as mudanças que terão que ocorrer aqui em casa pra se receber um bebê. Imagina só, um bebê! Pois é... Depois de tanto tempo... mas eu bem sei que já deixei de ser a caçulinha do meu pai já faz tempo :P É o meu último ano de escola! E uma vez que todos aqui em casa são universitários, pretendo tornar-me uma também para o ano que vem :)

E acima de qualquer outra coisa, o que eu mais recebi esse ano até agora foram motivos para sorrir! É uma alegria infindável, que eu espero que permaneça comigo SEMPRE! E que esse sorriso eu possa levar comigo onde for, por que com tantas alegrias, sinto que 2009 vai ser com certeza o ano dos sorrisos! Obrigada, Senhor! Por que tu és quem me dá tantas alegrias e com certeza a razão do meu sorriso :)