De frente para o espelho eu posso ver claramente. Eu olho para o reflexo e lá está. Aquela cicatriz, as marcas do meu cansaço, um certo olhar moribundo. Isso você vê. Se continuo olhando, percebo retratos da minha indiferença, da minha ignorância. Vejo milhares de cenas perante mim, e vozes na minha cabeça me fazem lembrar que não passam de recordações, e isso você não vê. Ou talvez veja.
Não há mais diálogo, não há mais cor, agora restam apenas futlidades disfarçadas de motivos sinceros e maquiadas com desculpas esfarrapadas. O que antes era absurdo, hoje você diz que é normal; e o que antes você condenava, agora é a bandeira que você levanta. Não necessariamente algo bom. O mundo explode ao seu redor, mas você nem se importa. Você só quer fugir dos sorrisos falsos e "dessa eterna falta do que falar...". Você não consegue decidir de qual lado do muro vai querer se jogar, por isso continua caminhando em cima dele, lentamente põe um pé na frente do outro, nem tanto pelo medo de cair, mas por não ter escolhido de qual dos lados vai querer cair. Você sabe onde vai parar, você já conhece o final da história, mas mesmo assim insistem fingir que não se importa. Você não sabe se vale a pena. Na verdade você sabe que não.
O que fazer quando aquilo que te impediu de cair da montanha durante a escalada, como todos ao seu redor, agora é o mesmo motivo que te impede de chegar ao topo? Logo agora que você estava tão perto! Abandonar tudo e inverter o sentido da caminhada? Mas você já sabe que não vale a pena.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
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Ameei o seu texto *--*
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