domingo, 7 de dezembro de 2008

Um pouco Juninho

Às vezes me admira ver a pureza das crianças. A que tenho mais contato hoje é meu primo (que por sinal agora está dormindo em meu sofá), de apenas 2 anos. Vejo nele a simplicidade que queria ver nos outros. Ontem levei-o à praça, e pouco antes de irmos embora ele implorou-me para descer no escorrego mais algumas vezes, como se nunca mais pudesse voltar a fazê-lo. Assistiu às apresentações como se não houvesse nada mais importante, como se quisesse decorar cada cena. Tomou os restos do seu sorvete (que o sol derreteu quase por inteiro) exclamando: "Hmmm... Delicioso!" Sorriu como se descer escorregando na rampa de skate fosse a atividade mais prazerosa. O modo como falou com a moça que vendia o sorvete foi o mesmo modo que falou com a dona da loja de roupas, quando entramos no shopping, que fica bem em frente. É sincero em cada palavra, mesmo que não queira. É sincero em cada sorriso, e em tudo o que diz ou faz. Embora feliz e agradecido por qualquer coisa que receba, sempre querendo um pouco mais, na medida certa. Fez amigos em um instante, e tratou de ensinar-lhes (embora à sua maneira) que podiam dividir seus brinquedos. Chorou por não poder andar no carrinho do Papai Noel como se nada pudesse sanar a sua dor. E quando eu disse-lhe que estava triste com ele por isso; fez aquela carinha (sim, aquela, impossível de resistir) e pediu: "Não fica triste comigo não, Mara... Por favor, tá? Seja minha amiga de novo, certo?" , sem nenhum orgulho ou rancor. Aproveitou cada momento como se fosse único em sua vida. E realmente era. E ao fim do dia, esperando pela volta a minha casa, deitou no banco da praça e dormiu! Tão simples, tão meigo, e tão verdadeiro! Tão pequenino, e tão precioso!

E tem quem ache graça quando eu digo que todo mundo devia ser um pouco "Juninho" também. :)

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